Sintomas

Sintomas

tenho feridas abertas
nadando com os tubarões
tenho quebrado os dedos
no muro entre dimensões

tenho cozido passado
tenho sentido saudade
parando pra cuspir sangue
isso não é novidade

tenho o céu e a boca
infestado de aranhas
tenho estado perdido
entre estradas estranhas

tenho os olhos colados
numa grande agonia
tenho as horas desertas
e uma casa vazia

pelo menos pro tédio
me pareceu ter jeito

um fim demorado
mas achei errado

era só o remédio
fazendo o efeito

Vestígio
Já notou que existem níveis de silêncio? Que as vezes só percebemos alguns sons e ruídos quando eles cessam? Em outras horas parece que tudo tem voz, tudo está desperto, os armários, os livros, as roupas, os pratos e tudo mais. O som não se propaga no vácuo. E tem alguma coisa nessa hora que põe pra fora o vácuo de dentro e nada escapa do vácuo de um buraco negro. Nem mesmo o tempo. E essa hora fica comprida, arrastada, como um chiclete no asfalto quente. Tento escrever algo pra encher um pouco essa hora, mas não dá pra ser um texto, a gravidade não deixa, tem que ser algo menor,como um apêndice. Não sei ao certo pra que serve o apêndice ou o que é o apêndice, mas sei que ele fica no quadrante ilíaco as três da manhã. Acho que pra encher essa hora seriam necessários vários apêndices, uma coletânea, uma inflamação.Nessa hora vazia parece que a casa é um corpo e as coisas são órgãos. Eu sou o apêndice. Tento ter função escrevendo um texto pra encher essa hora, pois todo órgão tem uma função, mas isso não é um órgão, é só um apêndice.

Onipresença

Não há mulher para voltar
Não há filho para cuidar
Não há fera a ser morta
Não há chave não há porta
Não a amo não há vejo
Não há braço não a beijo
Não há isso não há quilo
Não amar pois não há deus
Não há mar
Pois não?
Adeus

 

Dharma

 

cavalo morto
as patas no ar
tela manchada
querendo queimar
boca amarrada
tentando morder
girando girando
eu quero descer

 

roupa molhada
ninguém pra torcer
corpo e alma
pra fome comer
dentro do fogo
querendo nadar
girando girando
eu vou vomitar

 

no fim da festa
tempo passando
fingindo sorrir
tudo que resta
girando girando
me tirem daqui

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junho 8, 2013 · 10:34 am

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