Tons.

As vezes fica tão quente que parece que as paredes vão derreter e me afogar em tinta. E tudo vai ficar igual, o violão, os lençois, a cama, minhas botas e o gato. Tudo vai ficar amarelo-pastel.Talvez fosse melhor que tudo ficasse preto pra eu poder ouvir Pearl Jam ou Alice in Chains. Lembro de uma vez meu pai me contar o motivo de só usar canetas pretas. O preto passa por cima de tudo. Do azul e do vermelho. E se as paredes derretessem e deixassem tudo amarelo-pastel, apagariam os nomes e as páginas dos livros. Eu ia tentar lembrar das palavras, mas elas não duram. Como acordar depois de um sonho bom e tentar lembrar com detalhes. Tudo vai ficando escuro, ganhando borrões de preto até que não se veja forma nenhuma. Talvez um dia eu lembre de escrever num muro o quanto eu gosto das tuas tatuagens e das cores do teu cabelo, talvez seja mais fácil falar com tinta do que com a boca. Pelo menos pra mim, tenho problemas com prazos de validade nas palavras. Por isso, se ficasse muito quente e o muro escorresse, não teria problema, por que não eram palavras. Era só tinta.

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