Tempos de chumbo.

Se você me perguntasse, anos atrás por que não existem bons super-heróis brasileiros, eu ia responder, aliás, ia encher o peito e falar que não tinha gente séria o suficiente pra fazer ou compenetrada o suficiente e provavelmente ia falar que o ‘’jeitinho brasileiro’’ estraga com a inocência e a ingenuidade inicial que o personagem precisa ter pra vestir uma malha com uma cueca por cima e uma capa nas costas pra combater o crime.

Ah, e falando nisso, me refiro aos super-heróis brasileiros, nascidos no Brasil, cuja história se passa aqui mesmo, nos Rio de Janeiro, Maranhão, Pernambuco e Paranás da vida. Nada de Quebra-Queixo, Capitão Ninja, Judoka e Capitão 7. Nenhum desses deu certo, tipo Batman ou Homem-Aranha, comercial ou simbolicamente. O que funciona aqui é Mônica e charges engraçaralhas metidas a besta. Temos tirinhas de qualidade, claro, temos Laerte, Angeli e todo esse povo. Mas não tô falando de Bob Cuspe ou Overman, ok?

Tô falando de algo foda, algo que inspirasse as pessoas simplesmente por ser foda, sem uma dose obrigatória de sátira. Por que quase tudo que é feito aqui tem que ser “espertinho” ou “malandro”?

Alguns anos atrás, diria que gente como eu devia fazer quadrinhos ou cinema. Fabricar heróis, talvez, que isso não é exclusividade de primeiro mundo, o México faz isso com a Lucha Libre e o cinema. Não dá pra ter algo parecido aqui? É tão irreal na mente do brasileiro conceber alguém que faça algo extraordinário? Nossos heróis acabam sendo pessoas que fazem atos ordinários como não furar uma fila ou não contratar um sobrinho e sim um profissional treinado? Sim, eu sei o quão ingênuo e inocente isso soa, mas é exatamente esse o meu ponto.

Aliás, como eu disse antes, era o meu ponto. Anos atrás.

E por favor, não me venha com Capitães Nascimento. Aliás, é aqui que nossa discussão fica problemática. Sou um cara criado pelos anos 90, alimentado pela cultura pop que nem um pato ou ganso é alimentado pra fazer foie gras.

Então eu não vivi a ditadura, o máximo de dor física que tive que suportar foi uma desarticulação do joelho e alguns pontos por bater de cabeça na parede em uma aula de educação física por causa da má combinação de Tênis Rainha e piso emborrachado de escola que quer impressionar pais médicos e desembargadores. O máximo de repressão que sofri foi de alguns professores que não gostavam da minha cara e não aprovavam o fato de eu usar brinco desde muito novo e ser homem. Mas o fantasma disso tudo ainda habita nossas vidas, de formas que nem mesmo sabemos.

Então, o que quero dizer é que um herói fascista, principalmente no nosso país, não é um herói, mas sim um vilão, do pior tipo.

Quero dizer, ser criança é absorver, imitar e fazer escolhas. Não ia gostar de ver um filho ou filha usando uma boina preta e emulando enfiar cabos de vassoura em seus amiguinhos amordaçados.

Lembro de sair horrorizado de aulas de história contemporânea do Brasil, quase depressivo até, com as coisas que eram ditas sobre as torturas militares, por professores que haviam de fato vivido aquilo muito mais na pele do que em livros e relatos, do quão surreal e distante aquilo parecia, de como o ser humano é inventivo ao machucar outrem. E de dar graças a deus por aquele sentimento horrível não durar mais de uma semana.

Mas por mais distante que fosse o horror da ditadura militar, não conseguia lidar com aqueles fatos e relatos da maneira tranquila que as outras pessoas da sala, babacas que eram, lidavam, como se estivessem ouvindo mitologia grega ou algo do tipo. Não conseguia ter essa falta de empatia. Meu pai havia me criado diferente, me ensinado a se importar com o que é certo. Sempre que esse assunto chegava perto de nossas vidas eu via meu pai se fechar, se encolher e ficar assustadoramente quieto. Nunca tive coragem de perguntar, tinha um certo medo do que iria descobrir. Isso junto com o fato de não ter conhecido minha mãe fazia minha cabeça ir longe, talvez eles tivessem feito parte de uma resistência armada nos anos 70 ou 80 e ela tenha morrido assim.  É bizarro admitir, mas eu meio que gostava desse mistério todo.

Acho que a coisa com super-heróis veio daí. Ele era professor de história também e seguia uma vida de mente sã e corpo são que pra um menino cujos colegas eram filhos de engravatados inchados de comida cara e excesso de conforto, parecia algo extraordinário. Contava pra ele as histórias dos heróis que inventava no meio das aulas como quem conta a um amigo da mesma idade e ele não retrucava com “presta atenção na escola moleque, não pago pra ficares desenhando”, mas sim com comentários legais de ouvir sobre os poderes e as cores dos uniformes.

Ele era meu norte, tudo que queria ser quando crescesse, eu me vestia como ele e agia como ele. As coisas que gosto e que faço vieram dele e eu gostava disso, gostava quando as pessoas reparavam e comparavam a gente. Olha o fulaninho, é a cara do pai. Como aquela música do Nelson Gonçalves:

Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
”.

Ele era meu herói. Podia contar com ele pra tudo, os pequenos problemas de vida de adolescente ficavam mais fáceis com ele por perto.

Nunca me dei com matemática, por exemplo, e alguns professores conseguiam piorar e muito essa relação.

Uma em especial parecia me odiar, muito. Não conseguia nem disfarçar a cara de desprezo ao ler meu nome na chamada, nunca por completo, diferentemente de todos os outros alunos ela me chamava apenas de Júnior e dizia essa palavra com tanto amargor que parecia dizer “maldito” ou “leproso”.  Mesmo antes das primeiras provas e de constatar meu completo retardo quanto a números e operações. O que era tão fácil de ser entendido e reproduzido em matérias como português, artes, filosofia e coisas do tipo, em ciências exatas era simplesmente impossível.

Tinha virado rotina, ela sempre me chamava pra ir resolver equações no quadro e eu simplesmente não sabia o que fazer com o giz, ficava ali parado querendo morrer, como se estivesse frente a um pelotão de fuzilamento.

A única pessoa que ficava de fora desse pelotão era a Maia. Ela queria ser arquiteta e era boa de cálculo e de desenho. Dizia achar engraçada a minha burrice e eu não conseguir entender como alguém que desenha bem podia curtir matemática.  Nunca fui muito popular na escola e também não fazia muito esforço pra mudar isso. Maia era minha melhor amiga e eu dava graças a deus por ter aprendido LIBRAS antes de conhecê-la. Costumava ir às aulas que meu pai frequentava e tinha orgulho de conhecer a comunidade surda, de ter um nome em LIBRAS e poder me comunicar com a Maia de um jeito que ninguém no colégio, fora a mãe dela que era a tal professora que me odiava, podia. A turma naturalmente composta de babacas a excluía com a desculpa da barreira de língua e me excluía junto, falando babaquices sobre nós dois na nossa frente como se eu também fosse surdo ou como se ela não percebesse o clima hostil. Mas eu não me importava. Quando eu falava com Maia e vias as mãos pequenininhas dela se mexendo e formando palavras, o mundo ficava quieto e a mesquinhez das pessoas ficava boba e pequena.

Lembro muito bem do dia que a gente ficou amigo de verdade. Festa junina da 8ª série.

Na escola, me fizeram usar uma roupa ridícula e não me deixaram comprar uma caixa de bombas de murrão. Quando se tem 14 anos de idade e não dá pra explodir as coisas, São João serve pra quê? Passei o caminho de casa até a escola emburrado, julgando tudo que existia com xingamentos infantis. De saco cheio pra tudo.

Até ver o sorriso dela. De orelha a orelha, lindo e natural. Aqueles de criança que sorri com o corpo inteiro. Ela era o meu par naquele ano e eu que nunca tinha ligado pra nada, agora me via suando pelas mãos cada vez que a gente se encostava pra fazer um passo ensaiado. Um vestido combinando com a minha roupa, mas nela não ficava ridículo, muito pelo contrário. Qual era a cor? Azul? Não, era outra cor. Amarelo? Odeio amarelo. Falei pra ela que me sentia ridículo naquela roupa e ela respondeu que aquele era o objetivo do São João. Éramos todos ridículos. Tanto ela quanto eu.

As turmas dançaram suas danças típicas sazonais e depois de tentar lembrar os passos e engolir a vergonha, a gente foi correr pela escola e brincar um pouco. A escola era muito grande e mesmo cheia de crianças gritando e pais fingindo gostar da socialização, dava pra achar lugares não tão lotados.

Sentamos num pequeno pátio que ficava no centro de um conjunto de rampas que ligavam os andares das séries do ensino fundamental e costumava ficar fechado nessas ocasiões. A gente pulou a grade e sentou lá no meio. A gente tinha essa brincadeira, eu e ela, de repetir uma palavra até que ficasse estranha, até que parecesse perder o significado. Em LIBRAS esse fenômeno é bem mais divertido. Era divertido vê-la rindo de uma palavra comum como se fosse o gesto de um desenho animado.

Ela escolheu o sinal do meu nome naquele dia pra ficar repetindo, eu era muito pequeno pra saber o que estava acontecendo comigo e muito leigo pra saber o poder das palavras, mas aquilo sendo sinalizado por ela, por aquele sorriso e aquelas mãos, repetidas vezes como um mantra, foi uma das sensações mais intensas que havia sentido. Como se não controlasse meu corpo e pensamentos, como se ela estivesse me fazendo afundar num mar de sons silenciosos sem que eu pudesse fazer nada. Eu só sentia vontade de me entregar mais e mais, de me deixar levar pela correnteza. Ela fechou meus olhos com as mãos e eu fiz o mesmo, agora começando a repetir o nome dela. O nome dela me deixava quente por dentro, me dava um calor mesmo, que nem fogueira. Comecei a pensar em fogo, bombas, rojões, foguetes e coisas explodindo, fogos de artificio e no sorriso dela. Tudo me queimando por dentro, mas de um jeito bom. O calor dela chegava perto, cada vez mais perto, cada vez mais quente. Como ficar perto de uma fogueira de olhos fechados.

Escuto o alarme de incêndio da escola tocando alto, mas não consigo parar pra pensar no que aquilo significa, estava quase em transe. E no meio do barulho da sirene, ouço algo que parece meu nome, mas dito pela primeira vez de um jeito completamente diferente, com raiva, gasto.

A mãe dela a chamando pra ir embora, furiosa por algum motivo. Tentei barganhar mais tempo pra brincar e ficar ali, em vão. Pra mim, ela nunca poderia entender o que tinha acontecido entre aquelas duas crianças momentos antes. E eu só entenderia os motivos dela anos mais tarde.

Desde essa época, corriam boatos que a surdez da filha vinha de Sífilis congênita contraída pela mãe durante a gravidez, e os alunos julgavam sem pena e sem empatia tanto mãe quanto filha. Já no ensino médio, sendo aluno dela eu quase conseguia simpatizar com a professora frente a essas situações de merda, mas ela me tratava tão mal que era simplesmente impossível. Puxava a filha pelo braço sempre que via a gente junto, mandava a gente sentar nos lugares mais distantes da classe e sempre se referia a mim num sinal em LIBRAS que eu não entendia e Maia não queria traduzir. A relação das duas não era das piores, mas também não era das melhores.

Não como eu e meu pai, pelo menos. Ele me instruiu pra ser verdadeiro tanto quanto fosse possível e encarar os problemas com sensatez. Não sabia o motivo de tanto desprezo da tal mulher comigo e resolvi perguntar, dialogar com ela. Havia outros alunos tão ruins quanto eu na matéria e não parecia ser esse o motivo de tanta antipatia.

Juntando toda a coragem que uma situação como essa me permitia juntar, perguntei pra ela um dia, qual era o problema comigo ou o quê eu havia feito de errado pra ser tratado daquele jeito. Tentei parecer maduro falando o quanto eu gostava da Maia e o quanto ela era importante pra mim.

O quê poderia dar errado, afinal?

Tudo.

Se você perguntar pra alguém que entende de literatura ou construção de mitos, qual o elemento chave pra criar um herói ele dirá: é bem simples, catarse.

Veja bem, toda história precisa de um conflito e é nessa hora que conhecemos os verdadeiros papéis do vilão e do herói da historia, alguém precisa fazer uma escolha e tudo fica de cabeça pra baixo, mas acaba se resolvendo no final e quanto maior o problema, mais catártica fica a resolução, maior é a recompensa de quem acompanha a história.

Se você está esperando algo assim, pare por aqui.

Ainda estamos bem definidos, herói e vilã. Ela me odeia por pura maldade, sem motivo nenhum. Até esse ponto, se você me perguntasse eu diria que meu pai seria o perfeito herói nacional, que havia lutado pela libertação do Brasil na ditadura, havia perdido a mulher e criado o filho sozinho e agora defenderia o direito do filho de gostar de uma menina, filha de uma mulher terrível, que impedia a felicidade dos dois. Bem clichê, não?

Que merda, vá se foder Aristóteles e vá se foder você também, se continuou a ler, se precisa saber o fim da história, não importando o que vai acontecer com o personagem no fim, você quer sua recompensa não quer? No mínimo a satisfação da curiosidade mórbida, a mesma que faz você virar o pescoço e dirigir devagar perto de algum acidente.

Acontece que diferente da ficção, a vida é uma história mal escrita que não precisa fazer sentido, as coisas simplesmente acontecem e não tem clímax no fim.

Mas eu te entendo, eu também quis saber a história inteira.

As coisas pioraram a ponto de os tais colegas de classe que me tratavam como lixo ficarem incomodados com a maneira que a professora agia perto de mim. Eles comentaram com seus pais e uma coisa levou a outra. Reuniões e reuniões de pais e professores circundando o assunto, mas nunca tocando explicitamente na verdadeira razão. Meu pai era chamado, mas não de forma que deixasse claro que sua presença era vital, e como era muito ocupado e confiava no filho, nunca ia.

Por acaso, alguém sugeriu uma palestra de sensibilização ou algo do tipo, pra falar sobre bullying, violência nas escolas, drogas, relação aluno-professor e coisas do tipo. Uma das palestras abordaria a violência que os estudantes sofreram durante a ditadura militar e meu pai como professor de história, foi convidado pra participar da mesa redonda.

Um jeito inventivo que a escola achou pra resolver a situação. Admito.

Podemos dizer que é incrível como algumas coisas simplesmente acontecem, como escolhas que não fizemos e coisas que não dissemos se amontoam no caldo de roteiros ruins do universo. Como se alguém tivesse escrevendo tudo. Dia após dia, página por página.

Eu vi o sentimento pairando no ar como se fosse uma cortina de pano, o sentimento que eu sentia ao ler relatos de quem sobreviveu aos anos de ferro da ditadura, nos olhos de quem estava na plateia no dia da palestra. Fios elétricos, pau de arara, cano de descarga, agulha embaixo das unhas, cacos de vidro na boca e mordaças, violência, abuso, estupro, morte.

Dor.

Não dá pra fingir esse tipo de coisa. Os olhos da professora estavam imóveis, injetados de sangue e lacrimejando, enquanto meu pai falava sobre todas aquelas atrocidades. Os olhos dele e dela se encontraram e ficou tudo claro, claro até demais.  Eu não sabia o que fazer, era como se tivesse perdido os sentidos, mantido em algum porão e finalmente podia enxergar, mas a luz feria meus olhos. A professora segurava a filha pela mão e sem tirar os olhos do meu pai se levantou e ficou encostada na porta esperando por ele. Foi como ver um condenado marchar pra morte. Sabe as vezes que você se pega distraído no meio de um texto, com os olhos correndo formando palavras de um modo automático, mas formando significados totalmente aleatórios, pensando na morte da bezerra. E de súbito, acontece algo chocante, algo que te faz pisar no freio da mente, franzir o cenho e pedir pra descer.

A máscara caiu. Ouvi algumas poucas palavras da professora e algumas marcas e comportamentos de ambos começaram a fazer sentido. A implicância com meu nome, que era o pouco que ela lembrava ou sabia daquele homem era mais que implicância, mais que coincidência. Às vezes o mundo fica pequeno de propósito, é o universo rindo da cara de seus personagens.

Fui lá fora e ele tinha ido embora sem mim. Atônito, mas sem pensar duas vezes entro no carro da professora como se fossemos próximos. Não consigo pensar em nada pra dizer durante todo o caminho. Ela me deixa na frente de casa e enquanto me despeço de Maia ela põe algo na minha mochila. Não finjo não perceber.

Subo os degraus do meu prédio como quem invade a torre de um castelo maldito, pra matar um vilão com uma arma vingadora, mas tudo que sinto é um peso enorme no peito. Nada de heroico. Rezo pra que aja uma verdade agradável no fim, algo acolhedor nessa tragédia.

As luzes apagadas, bebendo no escuro, tão dramático. Tão falso. Tudo que ele pede é que eu não pergunte por quê. Talvez por ser outra pessoa em outra época, outra máscara, se é que há ou houve um motivo pra tal atrocidade, ficou perdido pra sempre nos anos de chumbo, se existe alguma forma de redenção depois disso tudo, alguma forma de perdão, eu não consigo achar. Mas não importa não é? Um herói faz o que é preciso, não importando o que sinta.

Vou andando até a casa da Maia, tentando pensar só nisso, em como eu gosto do seu sorriso e como ela dizia gostar das coisas que eu escrevo, dos heróis que invento, das coisas bobas que saem quando penso nela. Tento pensar na dança de São João e no calor que aquela memória me trazia, tento pensar nas lindas pontes arcadas que ela queria um dia projetar, nos rabiscos complicados dela que eu fingia entender.

Não faço ideia do que será minha vida, mas se ela fizer parte, acho que consigo aguentar qualquer coisa. Atirei até sobrar apenas uma bala, naquele homem que não conheço, naquela pessoa horrível, mas infelizmente meu pai morreu junto. A gente passa a vida pensando estar preparado pras possibilidades sem saber como elas são cruéis. Por mais infantil e maluco que fosse esse pensamento, pensava que a partir daquilo a professora iria aceitar a gente querer ficar junto. Eu não sou ele e ele está morto. Amo essa menina mais que tudo e faria qualquer coisa pra continuar perto dela porra, afinal já não provei isso? Que outro sacrifício eu tinha que fazer pra terminar essa história?

Maia me recebe com uma mochila nas costas e sinaliza pra mim que a mãe dela quer falar comigo a sós. Digo pra ela que a justiça foi feita. E soa completamente ridículo, li quadrinhos demais.“Os pecados dos pais cairão sobre os filhos.” Quão clichê um professor dizer isso. “Algum dia te contarei a história toda” ela diz, “mas conheci ele antes da captura da nossa frente de resistência, a Maia foi gerada ali, antes de o teu pai trair a gente e tu já tava na barriga da tua mãe”. “Vocês tem o mesmo sangue, não podem ser um casal, nunca, mas eu te aceito como amigo da família, quase um filho se quiseres.”

“Ela sabe disso”? Pergunto não acreditando no quão surreal era tudo aquilo.

Não.

Se você me perguntasse do que é feito um herói, anos atrás eu diria que tudo depende de vários fatores diferentes. Um bom vilão, uma boa origem, uma motivação interessante. Mas acima de tudo, de escolhas.

Sabendo que ela não ouviu o tiro que matou sua mãe, pego a mão da minha irmã e vamos embora sem olhar pra trás sabendo que vou ter que usar essa máscara pelo resto das nossas vidas.

Se você me perguntasse hoje do que é feito um herói, não saberia o que dizer.

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